Bagnaia mostra poder de reação para fugir do inferno e garantir bicampeonato da MotoGP

Francesco Bagnaia passou pelo acidente mais assustador da carreira, foi para o hospital, mas reagiu à pressão de Jorge Martín para conquistar o campeonato da MotoGP pela segunda vez consecutiva

Depois de uma longa jornada, Francesco Bagnaia pode comemorar o título da MotoGP neste domingo (26), não apenas pela vitória obtida em Valência. É a segunda conquista consecutiva do italiano e o fato de estar em festa neste momento já é motivo de alívio para Pecco e muitos outros que acompanham o Mundial de Motovelocidade. Não necessariamente pelo feito obtido, mas pelo assustador acidente que o piloto da Ducati viveu meses atrás, na Catalunha.

A conquista foi difícil, sim, especialmente pela intensa briga com Jorge Martín, que chegou até a última etapa do campeonato em condições de tirar Bagnaia do trono de campeão. No fim, porém, não foi capaz de bater o homem que tirou a Ducati da fila e agora consegue, pela primeira vez, dar dois títulos seguidos para a montadora italiana.

Relacionadas

A missão mais difícil da carreira de Bagnaia parecia ter ficado no passado. Depois de reverter longa desvantagem para Fabio Quartararo em 2022, todo mundo esperava um campeonato tranquilo para o piloto da Ducati, especialmente após as duas vitórias obtidas em Portugal, na abertura da temporada. Pecco parecia imbatível, mas o tempo mostrou outro cenário.

O que se viu, porém, foi uma temporada de reações. O desempenho ruim na Argentina foi coroado com uma queda na corrida e a 16ª posição, fora da zona de pontuação, enquanto a vitória na sprint do GP das Américas foi apagada por um erro enquanto liderava a corrida principal — e que resultou em abandono. Outro acidente na França, com Maverick Viñales, colocou em xeque a capacidade de Bagnaia administrar a responsabilidade de carregar o #1 em sua moto.

LEIA MAIS
📌 Bagnaia quebra ‘maldição’ e renova título estampando #1 pela primeira vez em 25 anos
📌 Ducati ratifica fase brilhante e faz com Bagnaia o que faltou com Stoner: bi da MotoGP

Francesco Bagnaia garantiu segundo título seguido e o terceiro da Ducati na MotoGP (Foto: Ducati)

Foi quando surgiu o poder de reação do italiano pela primeira vez. Vitória dupla na Itália, dois pódios na Alemanha, triunfo na Holanda, segundo lugar em Silverstone e 100% de aproveitamento na Áustria. Tudo parecia muito bem para Pecco, cada vez mais líder da MotoGP — com 62 pontos de vantagem — e a caminho de um incontestável bicampeonato. Na etapa seguinte, na Catalunha, no entanto, tudo voltou a mudar.

Na sprint em Barcelona, segundo lugar. Na prova principal, Bagnaia largou na pole e liderou bem os primeiros metros até o acidente que quase mudou o destino de sua temporada, da carreira, da vida inteira. Pecco perdeu o controle ainda na primeira volta, foi ejetado da moto e teve as pernas atropeladas por Brad Binder. Uma cena assustadora, mas que milagrosamente não causou nenhuma fratura no italiano e o permitiu seguir no campeonato.

A partir deste momento, porém, a ameaça ganhou um novo nome: Jorge Martín. Se aproveitando de um inseguro Bagnaia na moto, o espanhol emplacou vitórias em San Marino e Japão, além de ver o italiano cair na Índia quando brigava por pódio. Mas foi na prova seguinte, na Indonésia, que novamente a luta de Pecco precisou aparecer.

Na Indonésia, o inferno voltou a assombrar Bagnaia. Sem ritmo, ficou com apenas a 13ª posição no grid e viu Martín vencer a sprint, assumindo assim a liderança do campeonato. No dia seguinte, reagiu de forma incrível, venceu a corrida, contou com uma queda do rival e retomou a ponta do certame a poucas etapas do fim, além de ampliar a vantagem na prova seguinte, em Phillip Island.

No fim, os contra-ataques seguiram. Martín deu um golpe na sprint da Malásia, mas levou o troco no dia seguinte. O espanhol venceu no sábado no Catar, mas Bagnaia se vingou no domingo. Com instinto de campeão e mentalidade alinhada, o italiano neutralizou a briga pelo título e se colocou em posição de definir tudo na sprint em Valência.

Mas na corrida decisiva, a calma prevaleceu. Largando na pole, Pecco escapou de um toque de Martín. Depois viu o rival errar pela segunda vez, cair e encerrar a disputa. No fim, ainda segurou concorrentes para vencer e assegurar o título merecido por tudo que mostrou ao longo da temporada.