Honda supera rejeição, aceita condições e põe Marini como substituto de Marc Márquez

A Honda encerrou o suspense e confirmou a contratação de Luca Marini como substituto de Marc Márquez a partir de 2024. Para chegar ao acordo, montadora japonesa teve de desistir da ideia de oferecer apenas um ano de contrato

Depois de muita rejeição — e muita demora —, a Honda encontrou alguém disposto a assumir o desafio de desenvolver a RC213V na MotoGP. A montadora de Hamamatsu anunciou nesta segunda-feira (27) a contratação de Luca Marini como substituto de Marc Márquez.

Até outro dia, a marca da asa dourada tinha a tranquilidade de ter dois pilotos contratados para 2024, mas a falta de competitividade do protótipo mudou tudo. O mais velho dos irmãos Márquez negociou uma saída antecipada para poder fechar com a Gresini e correr com a Ducati no próximo ano.

Relacionadas

Com a saída de Marc, a Honda passou a buscar um substituto, mas em meio a obstáculos importantes. Além da falta de competitividade da moto, a maioria do grid atual já tem contrato para 2024 e os japoneses queriam um acordo de apenas uma temporada.

Um dos primeiros alvos do time comandado por Aberto Puig foi Miguel Oliveira, mas o pedido do português por um acordo de três anos acabou por inviabilizar a mudança da RNF Aprilia. Maverick Viñales também foi cotado, mas a conversa tampouco caminhou. Até Pol Espargaró, que deixou a equipe no ano passado, passou a ser uma possibilidade, mas o catalão decidiu seguir aliado à KTM, mesmo perdendo a titularidade.

LEIA MAIS
📌 Bagnaia quebra ‘maldição’ e renova título estampando #1 pela primeira vez em 25 anos
📌 Bagnaia mostra poder de reação para fugir do inferno e garantir bicampeonato da MotoGP
📌 Ducati ratifica fase brilhante e faz com Bagnaia o que faltou com Stoner: bi da MotoGP
📌 Bagnaia entra para lista de bicampeões da MotoGP com taça em Valência. Veja ranking

Luca Marini é irmão de Valentino Rossi (Foto: VR46)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Marini, então, surgiu como opção, mesmo tendo contrato com a VR46 para o próximo ano. Inicialmente, mesmo assumindo o interesse em defender uma fábrica e desenvolver uma moto, Luca parecia disposto a seguir com a equipe do irmão, já que a oferta da Honda era válida por um único ano.

Em meio a uma enorme — e até incomum para os padrões da marca — onda de rejeição, a Honda entendeu que era necessário mudar a tática, o que recolocou Marini no jogo. Disposta a oferecer um acordo de dois anos, a marca da asa dourada conseguiu concluir a negociação, mas esperou longamente para fazer o anúncio para que a equipe de Valentino Rossi pudesse se acertar.

A VR46, que já tinha contrato com Luca, não se fez de obstáculo à saída do italiano. Diretor da equipe, Alessio Salucci, o ‘Uccio’, admitiu publicamente que gostaria de manter o #10, mas também disse que ficaria orgulhoso de vê-lo vestir as cores da Honda, uma vez que o objetivo da Academia de Pilotos VR46 é preparar jovens para as equipes oficiais.

“A Honda Racing Corporation esá feliz em anunciar a contratação de Luca Marini para as temporada 2024 e 2025 do Mundial de MotoGP”, disse a marca em um comunicado. “Os piloto de 26 anos se juntou à classe rainha em 2021 depois de conquistar seis vitórias e 15 pódios na Moto2, terminando como vice-campeão em 2020”, recordou.

“Desde que entrou na classe rainha, Marini conquistou dois pódios em GP, duas poles e quatro pódios nas sprint em 2023”, recordou. “Ele vai se juntar a Joan Mir na equipe de fábrica com um contrato de dois anos”, encerrou.

Com o acordo, Marini vai defender uma equipe pela qual o irmão Valentino Rossi foi tricampeão, mas da qual não se despediu nos melhores termos. O #46 deixou o time em 2003, insatisfeito com a forma como a Honda via o papel do piloto e também decepcionado por nunca ter recebido da montadora a moto com a qual foi campeão das 500cc.

Luca, de 26 anos, soma 54 GPs na MotoGP. Neste período, já fez duas poles — no GP da Indonésia deste ano e também no Catar —, uma volta mais rápida — no GP de Aragão de 2022 — e dois pódios — o segundo lugar no GP das Américas de 2023 e o terceiro lugar da semana passada, em Lusail. Irmão de Rossi por parte de mãe, Marini é conhecido pela habilidade em explicar até mesmo os temas mais difíceis, uma característica que pode contribuir com o desenvolvimento da moto.

A Honda vive um momento de crise na MotoGP e fechou 2023 como a última colocada no Mundial de Construtores, se11te pontos atrás da Yamaha, que aparece logo à frente.

Honda sofre na escolha de novo piloto e começa temporada 2024 muito atrás das rivais