Especiarias da Índia entram em ação e dão cores diferentes ao dia 1 da MotoGP em Buddh

Inédita no calendário da MotoGP, a pista de Buddh serviu um preparo no maior estilo indiano: com muitas cores e sabores. A sexta-feira (22) terminou, claro, com a Ducati na ponta, mas até a Honda veio dar o ar da graça

A Índia tem fama internacional pelas cores e sabores. E, no primeiro dia da MotoGP em Buddh, essa marca cultural apareceu também na folha de tempos. A Ducati não deixou passar a chance de liderar, mas, desta vez, em um 1-2 pintado de amarelo e roxo: Luca Marini foi o mais rápido, diante de Jorge Martín.

Como já virou normal, a Aprilia também foi protagonista e viu Aleix Espargaró em terceiro. Mas — por mais estranho que possa parecer —, a grande surpresa do dia foi a Honda. Atravessando uma crise de performance com a RC213V, a marca japonesa colocou dois pilotos no top-10: Marc Márquez foi nono, com Joan Mir surgindo em décimo.

Luca Marini foi o mais rápido no primeiro dia em Buddh (Foto: VR46)

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Além de Ducati, Aprilia e Honda, a Yamaha também arranjou um cantinho no top-10, com Fabio Quartararo fechando o dia com o oitavo melhor tempo.

Líder dos trabalhos, Marini explicou que costuma se dar bem em pistas novas, já que tem facilidade para identificar as linhas rápidas O #10 fez a melhor volta em 1min44s782.

“Foi um primeiro dia muito positivo: fui rápido logo de cara, adaptando meu estilo de pilotagem à pista. Ontem, na familiarização com a pista, fizemos um grande trabalho para entender as linhas e os pontos de freada. Isso é algo que eu faço bem, até mesmo na Indonésia no ano passado, terminei o primeiro dia com o melhor tempo de volta”, recordou. “Amanhã será uma história diferente. Os pilotos de fábrica vão dar um passo, enquanto nós temos de focar no long-run. Escolher o pneu, entender o consumo e controlar a aderência da melhor forma possível”, listou.

“Por enquanto, estou gostando das curvas inclinadas e dos setores rápidos desta nova pista. Temos bom potencial, mas precisamos nos preparar da melhor maneira possível para as duas corridas”, frisou.

À emissora italiana Sky Sport, Luca contou como fez para entender o ponto de freada em Buddh, algo que foi difícil para todos os pilotos ao longo do dia.

“Ouvi meu coach, Idalio Gavira, que sempre me diz: ‘Sai forte, vai longe na briga ou na área de escape e aí, quando tentar outra vez, um pouco menos’. É assim que você faz para aprender os pontos de freada”, detalhou.

Aleix Espargaró foi a melhor Aprilia (Foto: Aprilia)

Aleix Espargaró saiu satisfeito do primeiro dia em Buddh e até aproveitou para elogiar o traçado indiano.

“No geral, as coisas correram bem. A pista é bem diferente do que eu esperava. É mais travada e não tão fluida”, comentou Aleix. “Me lembra muito de Austin, mas com menos aderência. De qualquer forma, tanto em termos de ritmo quando de volta lançada, fomos rápidos, mesmo com algumas dificuldades nos setores com freadas mais fortes, que compensamos nos trechos mais fluidos”, seguiu.

“A pista é extremamente técnica, provavelmente a mais técnica do campeonato, e crédito às mudanças feitas na pista também, pois, em termos de segurança, a situação poderia melhorar, mas não tem nenhum problema realmente crítico”, elogiou.

Dono do quarto melhor tempo, só 0s335 mais lento que o ponteiro, Marc Márquez destacou que costuma ser capaz de ser rápido e achar o limite de imediato em novos circuitos.

“Quando chegamos a uma nova pista, é verdade que sou capaz de ser rápido e achar o limite da pista. Estava lá desde o primeiro treino e, no segundo, conseguimos ficar lá, ainda que tenha perdido um pouco de margem, já que o grip melhorou”, comentou Marc. “Mas, no fim, conseguimos conquistar um lugar no Q2, que era a meta, mas acho que muitos pilotos vão dar um passo amanhã”, observou.

Marc Márquez foi cauteloso ao falar do dia da Honda (Foto: Repsol)

“As três primeiras filas do grid são o objetivo para amanhã e aí vamos ver o que acontece na sprint”, disse. “O calor aqui é diferente de outras pistas, mas não acho que será um grande problema para amanhã. Para a corrida de domingo, veremos”, acrescentou.

Diferente do que aconteceu ao longo de toda a temporada, Joan Mir respirou ares mais competitivos e ficou com a décima colocação, só 0s550 atrás de Marini. O bom resultado, porém, não criou ilusões.

“Não acho que isso seja real, pois é uma nova pista”, considerou. “Neste tipo de situação, você pode fazer um pouco mais a diferença em termos de estilo de pilotagem. As outras motos, nós inclusive, ainda temos margem de melhora nessa pista. Como em Misano, é mais difícil tirar aquele décimo extra. Aqui tem mais margem para todo mundo. Além disso, estou curtindo a moto e estamos trabalhando bem. O teste em Misano foi bem útil para mim e para a equipe”, ponderou.

Líder da MotoGP, Francesco Bagnaia fez a melhor volta em 1min45s280 e ficou com a sétima colocação, 0s498 mais lento do que Marini. O titular da Ducati contou que passou mal em alguns momentos do treino da manhã.

“Esta manhã eu passei mal em algumas freadas, mas, de tarde, já me senti muito melhor”, contou Pecco. “A volta rápida foi muito boa, mas ainda não encontro confortável de tudo”, frisou.

Francesco Bagnaia alertou para o forte calor em Buddh (Foto: Divulgação/MotoGP)

“Hoje de manhã, eu completei 27 voltas, mais do que a distância da corrida. Vai ser importante se adaptar às condições para não degradar muito o pneu traseiro”, observou.

Assim como Aleix, Pecco também elogiou as condições da pista de Buddh, que tinha causado muita preocupação antes da viagem para a Índia.

“Esperávamos condições muito piores e mais problemas com falta de aderência”, indicou. “É um circuito dos mais técnicos do campeonato. E, se você sai do traçado, precisa manter a calma, pois escorrega muito fora da linha”, apontou.

Questionado sobre a maior dificuldade para a prova indiana, Bagnaia respondeu: “O mais exigente será o calos, Na reta, parece que o pescoço está queimando. É o circuito em que faz mais calor, pior do que na Malásia”.

Fabio Quartararo sofreu duas quebras no dia (Foto: Yamaha)

0s509 mais lento do que o líder, Fabio Quartararo teve um início de dia difícil, com problemas mecânicos nas duas motos, mas acabou em oitavo, alcançando a meta de avançar direto ao Q2.

“O dia não começou super bem. Completei apenas cerca de nove voltas de manhã, então aprender essa pista difícil na sessão da tarde não foi fácil”, comentou. “Fisicamente, a pista não é muito dura, é só o calor”, seguiu.

“Tive de entrar no jogo logo de cara e alcançamos a nossa meta de ir direto ao Q2, então foi um bom dia”, avaliou. “Tomara que possamos lutar por um lugar nas primeiras três filas e lutar por um grande resultado na sprint”, completou.

A classificação da MotoGP para o primeiro GP da Índia da história acontece a partir das 2h50 (de Brasília) deste sábado (23)GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2023.

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