Opinião GP: Salto de Mercedes e McLaren faz sorrir, mas para bater Verstappen é pouco

Max Verstappen era realmente favorito à vitória no GP dos EUA, só que não foi tão fácil como em muitas outras vezes nesta temporada. A Red Bull precisou trabalhar bem no pit-wall, enquanto Max fez o que faz de melhor nessas condições, mas a concorrência poderia ter endurecido bem a disputa se não hesitasse tanto. O crescimento de Mercedes, McLaren e Ferrari é a grande notícia deste fim de campeonato, porém o trio terá de fazer mais e melhor para alcançar os taurinos

APESAR DO DOMÍNIO que impõe em 2023 na Fórmula 1, Max Verstappen ainda é capaz de proporcionar algumas surpresas. É correto dizer que o holandês era realmente favorito à vitória no GP dos EUA, especialmente diante do assombroso ritmo apresentado na sprint de sábado, mas é igualmente verdade afirmar que a concorrência em Austin se mostrou palpável e ameaçou fortemente o taurino. Tanto que a vitória acabou nas mãos de Verstappen muito mais por uma hesitação dos oponentes do que propriamente em cima da costumeira performance do carro austríaco, que, desta vez, deu mais trabalho ao piloto #1. No entanto, Max não é tricampeão à toa e soube lidar bem com as adversidades para conquistar a 15ª vitória do campeonato50ª da já espetacular carreira na F1.

E é preciso também destacar: a prova texana ganhou muitos pontos no ranking das melhores etapas de 2023, essencialmente pela real briga pela vitória. Mas não deixa de preocupar o fato de que equipes de ponta pareçam ter perdido o senso de oportunidade.

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O caso é que, no apagar das luzes na reta principal do Circuito das Américas, o cenário se tornou um tanto imprevisível. Verstappen saltou bem do sexto lugar do grid — o revés na classificação emprestou ao GP de domingo esse toque do inesperado. Enquanto isso, mais à frente, Lando Norris assumia a ponta rapidamente, superando o pole Charles Leclerc, que teve de lidar com um Lewis Hamilton também muito veloz. Ainda nesta primeira parte da prova, ficou claro que a briga pelo triunfo estava aberta. Isso porque a McLaren #4 exibia forte desempenho, seguida por uma ainda mais consistente Mercedes. A Ferrari tentava acompanhar. E Max, por sua vez, escalava o pelotão de maneira mais branda que habitual, embora não tenha demorado para se aproximar dos ponteiros.

Foi nesse momento que as coisas começaram a virar para o holandês — e aqui é importante creditar não só a leitura eficaz de corrida da Red Bull, como também a sensibilidade que Verstappen tem no cuidado com os pneus. Atrás dos adversários, a esquadra taurina decidiu chamar o piloto #1 antes, para tentar o undercut em cima dos rivais. Funcionou bem com Norris e mais ainda com Hamilton.

É bem verdade que a McLaren reagiu imediatamente e chamou o líder para os boxes. O carro laranja ainda sofreria mais ao longo da corrida, devido a uma chocante degradação acentuada dos pneus. Dificilmente, Norris teria chance de vencer, mas o pódio era seguro e em uma diferença bem menos assustadora do que no dia anterior — aliás, nas últimas etapas também. Ainda assim, o time de Zak Brown poderia ter jogado com a ousadia no Texas, dada a posição de pista.

Agora, a Mercedes poderia, sim, ter vencido. Não só em cima de um ritmo muito forte, empurrada pelas atualizações que agradam demais a Hamilton, mas também pela chance de uma estratégia mais certeira. Aqui, a posição de pista de Lewis, então na liderança, era fundamental. Além disso, a octacampeã tinha a vantagem em termos de pneus disponíveis com Hamilton e desempenho o suficiente para tirar proveito. Enquanto Verstappen gastou seus dois conjuntos de médios nas duas primeiras fases da prova, a Mercedes ainda tinha um set de amarelos novos para o multicampeão. O problema foi a incerteza do que fazer.

O primeiro erro do pit-wall dos alemães foi subestimar a própria performance e o segundo foi se desesperar com aquilo que acontecia na pista. Aparentemente, o time da estrela não sabia muito bem que caminho tomar: hesitou entre seguir Verstappen ou bancar uma estratégia complemente diferente. E acabou decidindo, meio na louca, o que fazer ao optar por duas paradas, quando poderia ter ficado um pouco mais. O tempo que tomou de Lewis ainda foi decisivo para as ambições do inglês na parte final da prova.

Isso porque, antes do pit-stop, Hamilton sustentava uma vantagem de pouco mais de 5s para Max, só que, quando parou na volta 20, voltou 7s atrás. Já o piloto da Red Bull partia para cima de Norris, a quem ultrapassou no 28º giro, depois de alguns pequenos erros de Lando nas passagens anteriores. Uma vez na frente, o tricampeão tentava se distanciar, mas também passou a lidar com um inesperado problema de freios. Foi assim até o fim. O heptacampeão da Mercedes ainda parou uma segunda vez, quando calçou os pneus médios e voou. Na linha de chegada, a diferença entre os dois foi de 2s2.

Faltaram voltas para o britânico do carro #44, mas tudo teria sido mais simples se a Mercedes tivesse confiado em seu potencial.

Lewis Hamilton ficou na segunda colocação do GP dos EUA, mas foi desclassificado (Foto: AFP)

Como castigo, a equipe de Toto Wolff perdeu uma enorme oportunidade de ganhar em Austin. O avanço com o assoalho e todas as pequenas melhorias é notável, mas não pode dar passos em falso. E para piorar, Hamilton ainda foi desclassificado por conta de uma irregularidade nas pranchas do assoalho no carro — horas após o fim da corrida, os comissários da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) aplicaram a punição. A esquadra alemã admitiu o erro. A Ferrari de Leclerc também foi flagrada na mesma condição.

E falando na escuderia italiana, também é possível dizer que Maranello se viu escapar um potencial pódio ao lançar Leclerc em uma estratégia de um único pit-stop. Ainda que a SF-23 sofra demais com o desgaste de pneus, tanto Charles como Carlos Sainz foram capazes de lidar até bem com os problemas e, embora não tenham apresentado o mesmo patamar de desempenho de Mercedes e McLaren, o carro vermelho esteve perto e ainda é muito bom em volta única. Mas como as demais, também é essencial tirar mais das oportunidades.

Portanto, mesmo em um dia de inesperados problemas e tensão, em que Max se irritou mais de uma vez com o seu engenheiro e enfrentou falhas no carro, a vitória taurina tem um sabor especial e prova que a concorrência ainda parece mambembe, especialmente quando hesita inexplicavelmente em momentos que deveria saber lidar com mais facilidade. O futuro, diante do passo à frente que Mercedes, McLaren e Ferrari deram nas últimas semanas, é promissor, só não pode ser tomado como garantido.

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