Na Garagem: Schumacher fatura hexa no Japão e se torna maior campeão da história da F1

Há 20 anos, em uma corrida das mais conturbadas no Japão, Michael Schumacher cruzou a linha de chegada em oitavo e marcou o pontinho que precisava para não depender de ninguém e se isolar na história como o maior campeão de todos os tempos da Fórmula 1

Até o dia 11 de outubro de 2003, Michael Schumacher dividia com o lendário Juan Manuel Fangio o posto de pentacampeão do Mundial de Fórmula 1. Um feito e tanto suficiente para levar o alemão ao patamar de maior de todos os tempos, afinal, ninguém além do argentino que marcou os primeiros anos da categoria máxima dos esportes a motor havia conquistado tantos títulos ao longo dos anos.

Isso porque no dia seguinte, um 12 de outubro assim como a data de hoje, o alemão se isolaria no Olimpo dos deuses da velocidade. Só que o caminho até o hexa foi bem mais árduo que nos anos anteriores. Se em 2002, Schumacher estabeleceu um recorde que nem mesmo Max Verstappen ainda foi capaz de bater, indo ao pódio em todas as corridas realizadas naquela temporada, o novo ano começou com uma mudança importante no sistema de pontuação, em mais uma tentativa de deixar a disputa um pouco mais equilibrada. Daquele momento em diante, os oito, e não mais os seis melhores da corrida, pontuariam, com a distância entre primeiro e segundo caindo para míseros dois tentos.

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Schumacher se tornou hexacampeão após disputa com Kimi Räikkonen em 2003 (Foto: Reprodução)

Só que o domínio acachapante na temporada anterior ainda fez a categoria introduzir um novo formato de classificação em volta única, com a saída de pista no sábado sendo estabelecida pelo treino anterior. Um a um, em ordem inversa, os pilotos davam uma volta de instalação, a volta rápida e a de retorno aos boxes.

Foi por conta desse formato que Schumacher, em uma classificação bastante bagunçada pela garoa que caía sobre Suzuka, pegou a pista menos aderente e não passou do 14º lugar. E por mais que Kimi Räikkönen, o único que poderia impedir o sexto título do piloto da Ferrari, também não tivesse feito lá uma grande classificação, alinhando apenas em oitavo, Michael sabia que teria de remar bastante para não depender de uma combinação de resultados.

Na verdade, o oitavo lugar bastaria ao já pentacampeão, independentemente da posição do então representante da McLaren, uma vez que a diferença entre ambos na tabela era de nove pontos. Mas até a bandeirada sacramentar o exato resultado que Schumacher precisava, muita coisa aconteceu, e no final das contas, a pole-position do companheiro de equipe, Rubens Barrichello, surgiu como o fator sorte que ele precisava.

A largada do brasileiro foi precisa, mas ele logo foi superado por Juan Pablo Montoya, da Williams, ainda na primeira volta, em uma época em que os pneus Bridgestone, da Ferrari, tinham menos rendimento nas voltas iniciais em temperaturas mais baixas que os Michelin, do carro do colombiano. Räikkönen, também de Michelin, já aparecia em sexto, enquanto Schumacher lutava para escalar o pelotão, ganhando apenas três posições após os quatro primeiros giros.

A corrida do alemão foi um tanto conturbada: primeiro, na busca desenfreada pela zona de pontuação, foi para cima do japonês Takuma Sato com ímpeto demais e não conseguiu evitar a batida. Com a asa dianteira danificada, correu para os boxes num tempo em que a escudeira do cavalinho rampante funcionava feito relógio. Mesmo assim, Schumacher caiu para o último lugar, mas ainda asseguraria o título, já que, para Kimi, não restava outra coisa a não ser vencer.

Na frente, Barrichello recuperava a liderança na volta 10, depois do abandono de Montoya por problemas em seu Williams. Cristiano da Matta, então terceiro, entrou para fazer o seu pit-stop e reabastecimento, com Räikkönen assumindo a posição do brasileiro, logo atrás de Fernando Alonso, da Renault. Mas o espanhol foi outro a não resistir por muito tempo, também deixando a corrida após sofrer uma quebra.

Pouco antes, porém, a McLaren resolveu dar uma cartada que poderia ser decisiva: colocar bastante combustível no carro de Kimi, mudando a estratégia do finlandês de três para duas paradas. Com Schumacher ainda distante da zona de pontuação e Barrichello tendo também um pit-stop a mais, seria a oportunidade de se manter na pista o máximo de tempo possível para tirar a diferença necessária para se aproveitar da parada de Rubens.

O ritmo da F2003-GA, no entanto, era muito forte, e o máximo que Kimi conseguiu foi bater o próprio companheiro de equipe, David Coulthard. A vitória de Barrichello já selaria o hexa de Schumacher, mas para não dizer que foi graças ao parceiro, Schumacher cruzou a linha de chegada em oitavo, assinalando o pontinho que era necessário para não depender de ninguém. Foi uma corrida das mais nervosas para o alemão, que ainda quase bateu na parte final ao se enroscar com Da Matta e o irmão Ralf Schumacher. Foi necessário cortar pela chicane para evitar o pior, mas o lugar no Olimpo já estava reservado.