Verstappen vence na Hungria e leva Red Bull a recorde histórico de vitórias seguidas na F1

A festa da Mercedes durou até a primeira curva do GP da Hungria: Max Verstappen superou Lewis Hamilton e rumou tranquilo para a sua nona vitória na temporada 2023 da Fórmula 1, a 12ª da Red Bull em sequência, quebrando um recorde que durava desde 1988 na categoria.

Não deu nem para o cheiro. Depois de ver Lewis Hamilton ficar com a pole-position do GP da Hungria por míseros 0s003, Max Verstappen decidiu a corrida deste domingo (23) na largada, acabando com qualquer esperança do torcedor mais otimista da Mercedes de ver a equipe no degrau mais alto do pódio.

De quebra, a vitória de número 9 na temporada 2023 ainda representou o 12º triunfo consecutivo da Red Bull na Fórmula 1, batendo um recorde que durava desde 1988, a temporada praticamente varrida pela McLaren de Ayrton Senna e Alain Prost — apenas uma prova naquele ano não foi vencida pela dupla.

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Hamilton, na verdade, não durou nem até a primeira curva de Hungaroring na liderança. Na largada, o inglês tentou fechar a porta, deixando Max sem espaço, mas o holandês foi inteligente para manter-se no traçado, uma vez que já estava na linha ideal. Na disputa da freada, prevaleceu o RB19 — e também o MCL60, pois Oscar Piastri, esperto que só, seguiu o #1 e também ganhou a posição de Lewis.

A partir daí, foi o já costumeiro passeio da Red Bull, com Verstappen dominando com pneus médios e duros, apenas administrando a distância para a McLaren de Lando Norris. A equipe papaia, aliás, decididamente entrou na briga pelo posto de segunda força da temporada 2023.

Sergio Pérez apostou nos pneus duros no início e fez uma boa corrida de recuperação, terminando em terceiro. Hamilton cruzou a linha de chegada em quarto, com Piastri em quinto e Charles Leclerc em sexto. George Russell, Carlos Sainz, Fernando Alonso e Lance Stroll fecharam o top-10.

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Max Verstappen não deu tempo nem de Hamilton respirar (Foto: Red Bull Content Pool)

Confira como foi o GP da Hungria da F1 2023:

A expectativa para a corrida em Hungaroring não poderia ser maior após a pole-position de Lewis Hamilton, a primeira desde o GP da Arábia Saudita de 2021, a 104ª da carreira na elite do automobilismo mundial. Mas a realidade era um pouco mais dura para a equipe alemã, sobretudo com uma McLaren logo atrás sedenta por mais um pódio e que mostrou um ritmo mais consistente ao longo dos treinos livres.

Havia, porém, Max Verstappen ainda, que perdeu a pole-position por míseros 0s003 e não deixaria barato. Considerando o histórico de enroscos entre o holandês e Hamilton principalmente na famigerada temporada 2021, não seria nenhum absurdo imaginar o #1 embicando para cima do heptacampeão antes da primeira curva.

Para variar, Budapeste recebeu os pilotos com um asfalto escaldante: 50°C, com os termômetros registrando 28°C de temperatura ambiente e a umidade relativa chegando aos 34%. Era, portanto, um cenário preocupante quanto ao desgaste de pneus, por isso os primeiros oito colocados optaram por largar com os compostos médios — a estratégia de segurança da Pirelli, ainda que nomes como Pérez, em nono, preferiram partir com os duros para o stint inicial. Carlos Sainz, da Ferrari, por sua vez, calçou os compostos de faixa vermelha, estratégia totalmente diferente das propostas da fabricante italiana.

Luzes apagadas, e Verstappen não deu nem tempo de Hamilton reagir: já posicionado no lado de dentro, apenas precisou fazer valer a força do seu RB19 no mano a mano contra o W14 e contornou a curva 1 à frente do inglês. Hamilton ainda tomou de um astuto Piastri, que foi no embalo de Max e também passou Norris, assumindo o segundo lugar.

"Desculpe, pessoal", disse um inconsolável Hamilton pelo rádio, ouvindo da equipe que a corrida ainda era longa, portanto não havia nada perdido. Mesmo assim, a McLaren confirmava a previsão de ser a equipe mais próxima dos taurinos em Hungaroring.

Ainda na largada, Guanyu Zhou estancou na hora de dar a partida e foi engolido pelo pelotão. Completamente atrapalhado, acabou acertando a traseira da AlphaTauri de Daniel Ricciardo. Só que a batida causou um efeito dominó: o australiano bateu em Esteban Ocon, que consequentemente atropelou justamente o companheiro de equipe, Pierre Gasly. O incidente causou mais um abandono duplo do duo da Alpine na temporada.

Com pneus macios, Sainz já ganhava cinco posições após a largada, posicionando-se atrás de Leclerc e com Alonso na sequência. Não demorou muito, porém, para Pérez superar o espanhol da Aston Martin e já abrir mais de 1s de vantagem em poucas voltas, demonstrando a clara falta de performance do AMR23.

Na volta 9, Alexander Albon abriu a janela de pits, trocando os compostos médios para os duros. Pela previsão da Pirelli, cedo ainda para imaginar um stint até o fim, porém a Williams já havia se valido da mesma estratégia em outras ocasiões. Lance Stroll, Valtteri Bottas, Yuki Tsunoda e Zhou — já com 5s na conta para pagar após o strike da largada — entraram na sequência, todos já calçando os pneus de faixa branca.

Acidente na largada acabou tendo sérias consequências para Esteban Ocon (Foto: AFP)

Enquanto isso, Verstappen já abria mais de 4s para Piastri, que mantinha o ritmo forte e abria 2s para Norris. Volta 16, e Pérez, com pneus duros, chegou em Sainz com muito mais ação. O espanhol avisou para a Ferrari que era, então, hora de parar, e foi o que aconteceu, trocando para os compostos duros. Hamilton entrou no pit-lane no giro subsequente, seguindo a mesma estratégia.

A McLaren, então, chamou Norris para a troca obrigatória de pneus na volta 18, mesmo instante em que Leclerc também partiu para o pit-stop. Só que enquanto a equipe inglesa fez um trabalho impecável, com a troca de Lando em 2s3, os mecânicos de Maranello tiveram problemas com a roda traseira esquerda de Leclerc. Ao todo, o monegasco perdeu mais de 9s só no pit-stop, voltando em décimo no grid.

Em seguida, Piastri fez a troca, e mais uma vez ótimo trabalho do time de Woking, em 2s. Só que o novato acabou sofrendo o famoso undercut de Norris, que havia parado antes e conseguiu tomar a terceira colocação.

22 voltas completadas, apenas Verstappen, com pneus médios, Pérez em segundo e Russell em quinto, ambos com compostos duros, permaneciam na pista sem paradas. A distância na liderança era mais de 20s, mas a Red Bull não tardou a chamar o #1. Troca efetuada em 2s3, Verstappen ainda conseguiu retornar com 2s7 de vantagem sobre Checo, agora já com os pneus de faixa branca.

Pérez fez seu pit na volta 25 e retornou à pista húngara entre as Ferrari de Sainz e Leclerc, em sétimo. Alguns giros depois, aproveitou que os pneus já estavam na janela ideal de temperatura e ultrapassou primeiro Sainz. Depois, o mexicano foi para cima de Russell, que dificultou a vida do #11 um pouco mais. Os dois quase se tocaram no miolo, porém Checo levou a melhor.

George, então, fez sua parada na volta 28 e colocou os médios. Era o único até então sem pit-stop nessa primeira rodada, voltando apenas em 14º, entre Nico Hülkenberg e Guanyu Zhou, ainda resistindo na corrida.

Enquanto isso, Verstappen seguia tranquilo na frente, com 7s5 sobre Norris, que abria 4s8 para Piastri. Hamilton, Pérez — com a volta mais rápida, em 1min23s346 —, Sainz, Leclerc, Alonso e Stroll fechavam o top-10 momentâneo.

Ricciardo, então, abriu a segunda rodada de pits, com Albon também trocando a borracha logo em seguida, mas novamente optando pelos duros, enquanto o representante da AlphaTauri foi de médios. Stroll, Magnussen, Hükenberg e Sargeant foram outros que também realizaram logo o segundo pit-stop.

A Ferrari passou em branco mais uma vez (Foto: AFP)

Passada metade da prova, Pérez começou a tirar consideravelmente a vantagem de Lewis Hamilton. Em dado momento, foram 2s em quatro voltas. O piloto da Red Bull ficou em condições de abrir a asa móvel na abertura do giro 41, sendo que Piastri, em terceiro, estava a menos de 3s de distância para a dupla. Era, portanto, uma briga que poderia valer o pódio para Checo.

Só que a Red Bull trouxe o mexicano para os boxes, e isso porque Piastri também entrou para a sua segunda parada. Enquanto a McLaren fez a troca em 2s8, os taurinos fizeram em nada menos que 1s9, entrando de vez na disputa pelo terceiro lugar.

Volta 45, Norris entrou nos boxes e voltou ainda em terceiro. Pérez, por sua vez, assinalava a volta mais rápida e partiu para o ataque sobre Piastri. E a ultrapassagem aconteceu no giro seguinte: Oscar até deu o traçado de fora, não ideal, mas Checo não tirou o pé. O jovem ainda colocou de lado na curva seguinte, mas ficou em espaço, pegando parte da grama e levando advertência por exceder os limites de pista. Pelo rádio, a equipe perguntou se ele havia sido forçado para fora, e ele respondeu: "Definitivamente, fiquei meio sem espaço". Os comissários, no entanto, encararam como lance normal de corrida.

Após todos concluírem a segunda janela de pit-stops, Verstappen abriu a volta 57 de 70 com 13s2 sobre Norris. Pérez era o terceiro, já com 10s de vantagem para Piastri, agora tendo Hamilton à sua cola, apenas 0s6 à frente. Só que, dessa vez, foi Lewis quem teve a preferência no principal ponto de ultrapassagem de Hungaroring, ganhando o quarto posto no final da reta do boxes.

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