Verstappen bate chuva, vence GP da Holanda e enfileira nono triunfo seguido em 2023

O começo chuvoso na pista criou insegurança para Max Verstappen, que teve de completar dois pit-stops nas primeiras voltas, mas foi apenas isso. Depois, dominou em frente ao público de casa no GP da Holanda

Com chuva, sem chuva ou com as duas opções se alternando freneticamente, não tem jeito: a temporada 2023 da Fórmula 1 é inteira de Max Verstappen. O futuro tricampeão mundial resistiu às incertezas causadas pelo clima neste domingo (27), no GP da Holanda, e partiu para mais uma vitória dominante. É a nona vitória seguida, igualando o recorde histórico, e 11ª na temporada, além da 46ª na carreira.

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A única coisa que colocou a posição dominante de Verstappen em questão foi a pancada forte de chuva que caiu assim que a largada foi autorizada em Zandvoort. A dúvida era sobre a estratégia: o certo era ficar na pista e resistir com pneus slick ou trocar para intermediários. A Red Bull parou Sergio Pérez primeiro e titubeou com Max. Quando parou, o piloto da casa voltou fora do top-10.

Verstappen, rapidamente, escalou o pelotão e foi parar em segundo, atrás somente do companheiro. Mas a pancada d'água foi muito rápida e, em seguida, já não valia a pena ficar com pneus intermediários. Em pouco mais de dez voltas, Max já havia parado duas vezes — na segunda ida aos boxes, foi chamado antes de Pérez, que liderava e não gostou. Serviu, assim, para o undercut. Daí em diante, apenas negociou com a liderança e tirou voltas mais rápidas para vencer em frente ao apaixonado público local.

O começo movimentado da prova só deu um alívio quando Logan Sargeant cometeu novo erro no fim de semana e acabou com a participação num evento em que tinha grandes chances de impressionar com o bom carro da Williams. Foi na volta 16 que entrou errado na curva nove e saía do traçado quando rodou e foi parar no muro, numa pancada considerável. Assim, causou o safety-car.

Após a primeira pancada de chuva, tudo que apareceu ao longo das 50 voltas seguintes foi garoa, mas, a partir da volta 60, outra pequena tempestade. A correria para trocar os pneus voltou a valer, com direito a Verstappen e Esteban Ocon apostando em pneus de chuva extrema, enquanto todo o resto ia de intermediários. Só que Pérez errou, escapou e abriu caminho para Alonso tomar o segundo lugar. Em seguida, Guanyu Zhou passou reto na mesma curva um e encheu o muro. Pretexto perfeito para interromper a corrida com bandeira vermelha, consertar a barreira e esperar a chuva diminuir.

A Fórmula 1 retorna na semana que vem, entre os dias 1 e 3 de setembro, com o GP da Itália, em Monza, 14ª etapa da temporada 2023.

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Confira como foi o GP da Holanda:

A ameaça de chuva era real em Zandvoort para o horário da largada do GP da Holanda, nos Países Baixo, às 15h locais (10h de Brasília, GMT-3). Mas fazia tempo desde a pancada de chuva anterior, de maneira que a pista secara o suficiente para os pilotos optarem por pneus slick. Mas a expectativa era de chover logo.

Antes da corrida, o segundo colocado Lando Norris fez reconhecimento de pista com pneus médios, mas o único que largou sem pneus macios foi Lewis Hamilton, na 13ª colocação. A sensação térmica era de 17°C, com o asfalto em 27°C.

Max Verstappen partia na frente de Norris, com George Russell, Alexander Albon, Carlos Sainz, Fernando Alonso, Sergio Pérez, Oscar Piastri, Charles Leclerc e Logan Sargeant formavam o top-10. O grid contava com duas diferenças na relação com o fim da classificação: Yuki Tsunoda foi punido com três posições por bloquear Hamilton no Q2 e caiu de 14º para 17º, enquanto Kevin Magnussen fez uma série de mudanças em Parque Fechado e foi de 19º para largar no pit-lane.

A chuva começou a cair discretamente instantes antes da largada. Norris partiu bem, mas Verstappen segurou a dianteira e se manteve em primeiro. Enquanto isso, Alonso atacou e enfileirou duas ultrapassagens para assumir o quarto posto, mas logo passaria também o terceiro. Um equívoco de Russell também deixou Albon passar. A situação era de movimento.

Só que pioraria ainda na primeira volta. A chuva discreta ficou bastante forte e não apenas deixou a pista escorregadia, mas fez alguns pilotos decidirem ir aos boxes colocar pneus intermediários. Pérez foi o primeiro a decidir por isso, seguido por alguns outros. Mas os ponteiros decidiram permanecer na pista.

Max Verstappen comandou o pelotão na largada em Zandvoort (Foto: Red Bull Content Pool)

A Ferrari, por exemplo, aprontou das suas. Leclerc entrou para trocar, parou no pit-box e notou que os mecânicos não estavam com os pneus intermediários em mãos ainda. Perdeu tempo valioso.

Alonso barbarizava, ao passo que Verstappen questionava a Red Bull sobre a possibilidade de trocar. A equipe respondeu para segurar mais uma volta, que teria a chance em seguida. E assim foi.

Depois de uma série de paradas, os 14 primeiros colocados da corrida eram aqueles que haviam posto os pneus intermediários. Os que decidiram ficar com pneus macios ficaram para trás, contando que a pista estaria seca rapidamente. Eram eles: Albon, Piastri, Valtteri Bottas, Lance Stroll, Nico Hülkenberg e Sargeant. Hamilton, por exemplo, parou, mas com resistência: "gente, acho que devíamos ter parado", falou. "Vamos ter de resistir na bravura", foi a resposta da equipe. A Mercedes demorou tanto com os dois pilotos que, com tudo estabelecido, estavam em 13º e 14º.

Mas, de fato, a pancada de chuva durou pouco. Já pela sexta volta, havia parado. A Aston Martin avisou a Stroll que outra pancada viria minutos depois, mas seria mais fraca. Em pouco tempo, os pneus macios rendiam muito mais que os intermediários. Na décima volta de 72, Piastri chegava a ser mais rápido que os pilotos de pneus de faixa verde por 1s. Aí, então, uma nova onda de pit-stops.

Hamilton parou de novo e recebeu a companhia de Alonso e Verstappen, bem como Leclerc e vários outros paravam. Pérez demorou uma volta mais, mas também parou.

Em meio a tudo que acontecia na pista, alguns entreveros ficaram para trás. Verstappen relou na Alpine de Pierre Gasly enquanto buscava recuperação com pneus intermediários, por exemplo. Depois, Leclerc danificou a asa dianteira quando pegou tráfego pela frente e tocou Piastri. Liam Lawson ainda recebeu 10s de punição por bloquear gente no pit-lane na primeira leva de paradas pela chuva.

Pérez não gostou, claramente, da estratégia tê-lo chamado uma volta depois para colocar pneus slicks novamente apesar de estar na liderança. "Max fez o undercut?", questionou. Sim, fez. Verstappen era o segundo, mas parou antes e deu uma volta a mais com pneus macios.

Quem também estava insatisfeito era Russell, que se via em 17º após ter largado em terceiro. "Nossa expectativa era pódio, como podemos ter errado tanto?", resmungou. A resposta é que a Mercedes demorou para fazer o pit-stop inicial — àquela altura, devia nem ter parado.

Logan Sargeant bate forte no GP da Holanda (vídeo: reprodução/DAZN/F1 TV)

Na volta 16 de uma corrida bastante movimentada, Sargeant perdeu o controle do carro após entrar rápido demais na curva nove, saiu do traçado de frente, rodou e terminou numa baita pancada no muro de Zandvoort. A segunda batida dele no fim de semana gerou safety-car. Fim melancólico de um GP da Holanda em que vinha bem, mas bateu na classificação e na corrida.

Mais uma correria aos boxes, pois. Aqueles que não haviam usado pneus intermediários, entraram para a primeira parada do dia. Outros, que tinha colocado e tirado os intermediários, foram para a terceira parada em 17 voltas. Foi o caso de Russell, que apostou em pneus duros. Só Albon continuava na pista sem visitar os boxes.

A corrida passava a ter Verstappen, Pérez, Alonso, Gasly, Sainz — que atacou Pierre ferozmente logo antes do acidente, mas não passou —, Zhou, Magnussen, Albon, Ocon e Tsunoda no top-10. Destes, apenas Zhou tinha pneus diferente de macios: eram médios. Russell, em 17º, era o único de duros.

A relargada veio na volta 22. Nenhuma grande mudança nas primeiras posições, embora Sainz continuasse atacando Gasly. Albon engatilhou a ultrapassagem contra Magnussen, mas o piloto da Haas se moveu para dentro na freada, o que levou Alex ao delírio. "Que porra foi essa?", irritou-se. Magnussen recebeu bandeira branca e preta de aviso pelo erro perigoso. Mas, em seguida, passou por Kevin e por Zhou.

Piastri, por sua vez, deu leve escapada do trilho e abriu a porta para Bottas tomar o 14º lugar. O australiano demorou duas voltas, mas recuperou a colocação. Na frente dele, a partir daí, Hamilton e Leclerc. Que se enfrentaram diretamente, com Lewis ultrapassando Charles e assumindo o 12º lugar. Piastri foi a reboque e também passou Leclerc, em jornada complicada.

O ritmo frenético da corrida diminuiu depois de passada as primeiras voltas pós-relargada. Verstappen abria e começava a estocar voltas mais rápidas, com direito a tirar 1s abaixo do restante, enquanto Alonso chegava a se colocar em posição de abrir asa contra Pérez, quando direção de prova finalmente permitiu o uso do DRS. Mas 'Checo' logo se afastou.

Alexander Albon fez o stint mais longo da corrida: 44 voltas de pneus macios (Foto: Williams)

Mais atrás, Leclerc virava o pato da corrida. Com assoalho danificado desde o toque com Piastri no começo, não tinha nada a tirar de uma capenga Ferrari e acabava alvo fácil para Bottas, Norris e até o estreante Lawson, que ultrapassou. Mesmo que Charles tomasse a posição de volta usando o DRS, logo em seguida foi chamado aos boxes. Era fim de corrida para ele.

A nova janela de pit-stops abriu por volta da volta 43. Foi na 44 que Albon finalmente parou, trocando os pneus macios pelos médios e regressando ainda na nona colocação. Pela primeira vez, a estratégia de Russell parecia se pagar: com pneus duros, não pararia novamente e, agora, surgia em oitavo. E havia mais gente a parar. Além disso, George chegava em Gasly e atacava.

Tsunoda era um que havia crescido na corrida. Ao tirar Gasly do caminho, voltas antes, pintava no top-5 com a AlphaTauri. Mas o pneu macio que usava já se aproximava de 40 voltas, e a AlphaTauri tinha intenção de ficar com ele até o fim. Assim, logo começou a ver a ameaça dos pilotos que vinham atrás.

Daí em diante, era a vez dos primeiros colocados pararem. Primeiro, Pérez; depois, Alonso. Só que o bicampeão teve problema na parada, uma vez que o pneu dianteiro esquerdo ficou preso e fez com que perdesse tempo e voltasse atrás de Pérez e até de Sainz, que tomava o terceiro posto.

Mas, aí, chuva de novo. Se depois do aguaceiro das primeiras voltas Zandvoort viu somente garoa, mas a coisa ganhou força de verdade quando a prova chegou ao giro 60 de 72. Pouco antes disso, conforme Tsunoda ficava mais e mais lento com pneus antigos, fechou Russell tarde demais e acabou forçando uma colisão leve que fez pedaço de carro voar. Rendeu punição de 5s.

Russell ainda surgiu de novo quando Hamilton se aproximava dele. O piloto do carro #63 tocou as rodas na grama e precisou ser astuto para evitar a rodada e provável batida no muro.

Guanyu Zhou sofre acidente em meio a temporal no GP da Holanda (Foto: Reprodução/F1 TV)

Enfim, voltemos à chuva. Uma nova pancada caiu e chegou já violentíssima, fazendo com que nova onda de idas aos boxes se formasse. De novo, Pérez entrou antes de Verstappen que, avisado para ir no giro seguinte, pediu para a equipe esperar, que havia trilho seco. Só que a coisa estava difícil, a Red Bull reforçou a sugestão, e Max parou.

E, quando parou, replicou aquilo que a Alpine havia feito com Ocon: colocou pneus de chuva extrema. Parecia a escolha correta, porque as escapadas com intermediários aumentavam. Pérez passou direto na curva um, tocou com a traseira no muro para tentar sair e conseguiu, mas perdeu a posição para Alonso, enquanto Zhou passou direto e foi para o muro da curva um. Fim de corrida para ele e, aí, bandeira vermelha a oito voltas do final. A vermelha, é verdade, salvou Pérez, que tinha ido aos boxes trocar a asa e perdera mais posições.

Enquanto a barreira de proteção acertada por Zhou era reparada e a chuva continuava, a direção de prova definia a ordem de relargada com Verstappen, Alonso, Pérez, Gasly, Sainz, Hamilton, Norris, Russell, Albon e Piastri no top-10. Ocon, Tsunoda, Stroll, Hülkenberg, Bottas, Lawson e Magnussen vinham na sequência.

Todos que precisavam reparar os carros no pit-lane, destaque para Pérez, fizeram exatamente isso numa parada longa, de mais de 30 minutos. Com dez minutos de adiantamento, o aviso de relargada em movimento e atrás do sfety-car mandou os pilotos de volta aos respectivos carros.

Quando a atividade foi retomada, a chuva era bastante dócil, mas a pista estava molhada. A volta 65 foi atrás do safety-car, bem como a 66, mas foi só. Para as últimas seis voltas da corrida, relargada e bandeira verde. Verstappen esticou para manter a liderança, ainda que Alonso tenha tentado contornar a primeira curva por dentro.

Ultrapassagem mesmo foi de Russell para cima de Norris, tomando o sétimo lugar. Mas a comemoração foi breve, porque um breve toque entre os dois causou furo no pneu de George e abandono. E uma punição surgiu para Pérez, de 5s, por passar acima do limite de velocidade permitido no pit-lane.

A chuva voltou a apertar um tanto para as quatro últimas voltas. O cenário de momento apontava Pérez acelerando o passo para tentar abrir mais de 5s para Gasly e, assim, manter a posição de pódio.

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