Verstappen brilha e já atormenta McLaren em Abu Dhabi. E Norris tem de dosar cautela
Max Verstappen entregou uma daquelas performances geniais que só ele consegue em um momento tão decisivo na temporada. É claro que, como o próprio disse, ainda é necessário um tantinho de sorte para ficar com a taça neste domingo, mas o primeiro passo foi dado com a espetacular pole no GP de Abu Dhabi. Enquanto isso, Lando Norris se colocou em segundo no grid e pode assegurar o título, independente de uma vitória do neerlandês. Mas o excesso de cuidado também tem seu risco. Já Oscar Piastri segue no dilema entre auxiliar a McLaren e cuidar de seu destino
"Foi parecido com a classificação de 2021". É quase inevitável não lembrar daquela temporada em uma decisão de título na Fórmula 1. E a frase, dita por Max Verstappen após a pole na mesma Abu Dhabi de cinco anos atrás, ainda carrega a mesma sensação de poder, na medida em que o neerlandês soube como ninguém lidar com a pressão por um resultado que pode mudar a história do campeonato. De fato, Verstappen cresce nestes momentos de tensão, mas o que fez neste sábado (6) também vai além. Ao garantir a posição de honra do grid, diante de uma McLaren nitidamente melhor, Max enviou um recado importante: está mais vivo do nunca e vai tentar o impossível neste domingo, ainda que precise de "sorte ou alguma ajuda". O primeiro passo foi dado, e isso é um tormento para os rivais, apesar da posição de segurança obtida pela dupla papaia, sobretudo Lando Norris, o segundo colocado.
"Quando a pressão é maior ou quando você realmente precisa ter um bom desempenho, normalmente eu consigo, porque gosto desse tipo de coisa. Mas sim, foi legal. Você sempre tenta fazer a melhor volta possível na classificação. Às vezes dá certo, outras vezes não. Acho que desta vez deu muito certo", emendou o tetracampeão ao detalhar a conquista em Yas Marina, em um momento em que a Red Bull precisou se reinventar. Quer dizer, a performance veio muito em cima da maneira precisa com que Max leva a disputa, mas também devido às mudanças certeiras promovidas pelos engenheiros no RB21.
O último setor ainda é uma dor de cabeça para os taurinos — nem mesmo Verstappen foi capaz de superar a parcial do carro laranja —, mas é importante dizer a equipe conseguiu ajustar a frente do modelo, ao ponto de sofrer bem menos com os pneus e com o equilíbrio nas curvas de média velocidade. Há quem diga, como Zak Brown, que a esquadra dos energéticos sacrificou o ritmo de corrida pela pole. A resposta será dada em 58 voltas. É bom lembrar que os austríacos costumam sempre ter uma carta na manga. E, especialmente neste caso, o time já deve usar a noite deste sábado para desenhar os diversos cenários da prova em Abu Dhabi.
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"No geral, a classificação pareceu um pouco mais coesa em comparação com os outros treinos, onde sempre sentia que ainda faltava algo. Mas acho que as mudanças finais que fizemos antes da sessão noturna nos ajudaram um pouco. E ao longo da classificação, fomos melhorando gradativamente", contou o neerlandês.
"No Q3, já foi uma primeira boa volta, com uma ajudinha do Yuki (Tsunoda), que me deu o vácuo. Foi muito legal da parte dele ceder uma das suas voltas. Na segunda tentativa, não tinha certeza se conseguiria melhorar por causa do vácuo que recebi. Mas, novamente, consegui ganhar um pouco mais de tempo nas curvas, e isso me deu um pouco mais de tempo por volta. Então, estou feliz com isso, feliz com o desempenho na volta rápida no final da classificação. Agora, claro, a grande incógnita é se conseguiremos manter esse ritmo durante a corrida."
Certamente, é algo que passa pela cabeça da McLaren. Na sexta-feira de treinos, as simulações mostraram uma proximidade grande de ritmo entre as duas oponentes, com uma ligeira vantagem para os papaias — a diferença é muito fundamentada nos pneus. É que o MCL39 cuida melhor dos compostos do que o RB21, que exige um pouco mais de Verstappen. Então, será interessante entender essa variação e o efeito que terá sob a estratégia de cada time.
Falando da McLaren, então, a classificação foi um balde de água fria. Além do traçado de Yas Marina ser mais agradável ao carro inglês, a configuração escolhida pelos engenheiros parecia perfeita. Norris e Oscar Piastri revelaram facilidade de desempenho no primeiro e no terceiro setores — neste último, o australiano estava voando, inclusive. Mas ambos foram pegos de surpresa pela performance de Verstappen. "Fizemos tudo o que podíamos. Acho que minha volta foi muito boa. Fiquei bem feliz. Então, sim, claro que estou decepcionado por não ter conquistado a pole-position para o último fim de semana, mas simplesmente não estávamos rápidos o suficiente hoje. Então, teremos que tentar amanhã", disse Lando após cravar o segundo melhor tempo da sessão, a 0s2 de Max. Piastri sai em terceiro.
"Estou desapontado por não ter conquistado a pole, mas ainda quero tentar vencer amanhã. Esse será o objetivo", completou o piloto, que precisa apenas de um lugar no pódio para garantir o primeiro título da carreira. Por isso, talvez uma postura mais cautelosa seja considerada, uma vez que está largando do lado sujo, enquanto o companheiro Piastri vai sair em terceiro. É algo a se pensar, até porque, ao fechar a primeira fila, se esquiva de um ataque maior do tetracampeão. Mas será a melhor tática?

"Eu decidirei quando tiver que decidir", falou Norris ao ser perguntado sobre a decisão entre uma largada agressiva e uma postura mais cuidadosa, pensando no campeonato. "Acho que melhoramos em várias áreas desde então. E o ritmo de corrida, sabe, normalmente somos bem fortes. Mas como o Oscar disse, o ritmo do Max também estava muito forte. Então, sim, acho que hoje, analisando bem, não fomos rápidos o suficiente. Mas, claro, esperamos poder reverter isso amanhã."
Esse é um ponto delicado e até perigoso. É claro que não se pode planejar tudo, mas é importante saber o que se quer. Quando os três postulantes ao título foram questionados sobre os riscos que estão dispostos a correr, as respostas revelaram um pouco mais do que esperar para as 10h (GMT -3) deste domingo. Como de costume e ainda mais na situação em que está, Verstappen foi taxativo e deixou pouca margem de manobra: "Vou com tudo. Não tenho nada a perder. Então, claro, vou tentar vencer a corrida. Vou me defender. Se precisar atacar, vou atacar, porque o que pode acontecer? Ou você fica em segundo ou terceiro, ou vence. Isso seria fantástico."
Já Norris tentou esconder a tensão e preferiu a bola de segurança: "Honestamente, não é algo que você decide agora. É algo que você vai ver e decidir antes do início da corrida, cinco metros antes de frear na curva 1. Até lá, acho que todo mundo só quer tirar o máximo proveito disso para si mesmo." Enquanto isso, Piastri não disfarçou o incômodo por ter menos chances e ainda uma decisão a tomar. "Do meu ponto de vista, preciso que certas coisas aconteçam na corrida para ganhar o campeonato. Então, vou esperar para ver se essas coisas acontecem."
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Com relação às estratégias, o GP de Abu Dhabi deve ser decidido com apenas uma visita aos boxes, em uma combinação de pneus médios e duros. Aqui é interessante perceber que a McLaren reservou dois conjuntos de compostos duros, enquanto a Red Bull preferiu guardar os médios. "Isso demonstra que as equipes estão mantendo em aberto a possibilidade de duas paradas nos boxes, mas apenas a McLaren optou pela estratégia mais conservadora", alertou Mario Isola, chefe da Pirelli.
"As duas táticas mais rápidas são as de uma parada. Uma opção é largar com pneus médios e trocar para os duros entre as voltas 20 e 26. Uma alternativa é largar com pneus duros e aproveitar o desempenho extra dos macios, parando entre as voltas 39 e 45. Já uma estratégia de dois pit-stops parece ser um pouco menos competitiva, especialmente considerando a dificuldade de ultrapassagem aqui", completou.
Portanto, com uma margem tão estreita, a posição de pista será crucial. Verstappen chegou a ser perguntado se lançaria mão de algo feito por Lewis Hamilton em 2016 — naquele dia, o inglês tentou reduzir o ritmo para fazer com que o rival Nico Rosberg fosse ultrapassado pelos demais, mas não deu certo —, e descartou a ideia, alegando que o atual traçado de Abu Dhabi não permite tal jogada.
No entanto, há sempre um elemento mental que pode fazer a diferença, bem como a interferência de outros adversários. George Russell parece muito vivo ali com a Mercedes, enquanto Piastri também pode se tornar uma peça importante para a McLaren. Até Yuki Tsunoda tem seu valor nesta etapa final. Quer dizer, segue ainda tudo em aberto.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Yas Marina para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
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