Incógnita completa, McLaren se perde e flerta com 'F1 A' e 'F1 C' em poucas horas

A McLaren é a sexta força da F1 2023, mas entender o real potencial da equipe tem sido uma das tarefas mais árduas nas análises. As atualizações funcionaram? O carro tem qualidade? Difícil saber com tanta oscilação, às vezes dentro de um mesmo fim de semana

A McLaren é a principal incógnita da F1 2023. Em um campeonato com casos estranhos como a Ferrari, a Alpine e até a Mercedes, ninguém chega perto de carregar tantos mistérios quanto os carros laranjinhas. É tanta oscilação brusca em tão pouco tempo que o natural é que qualquer um fique confuso ao analisar a performance do time de Woking.

Fato é que a McLaren está abaixo do que deveria e do que prometia, isso dá para cravarmos sem muito medo. Para quem frequentou G5, G4, até G3 da F1 em um período não muito distante, a sexta colocação parcial decepciona muito. Especialmente porque não há muitas indicações de que a Alpine seja um alvo possível de ser buscado em 2023. Menos ainda Ferrari e Aston Martin.

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Há ainda uma preocupação com uma queda de patamar até na atual temporada. Sim, porque a McLaren por anos virou sinônimo de força da 'F1 B', mas a categoria em 2023 parece ter criado a 'F1 C', já que a Alpine descolou legal das demais e, essa galera da 'terceira divisão', sofre bastante até para pontuar. A McLaren não está muito longe deles, não.

Lando Norris precisa melhorar, é a estrela da McLaren. afinal (Foto: McLaren)

Até aqui, em sete etapas, a equipe laranja só visitou a zona de pontos cinco vezes somando os dois pilotos. E em apenas três das sete provas: Austrália, Azerbaijão e Mônaco. Os 17 pontos no Mundial de Construtores também mascaram um pouco o desempenho, já que o time não fez por merecer sair de Melbourne com parrudos 12 tentos. Foi acaso, destino, sorte, chame como quiser.

Um ponto que assusta em relação ao que a McLaren faz é o grau de oscilação: é rápida, é brusca. Na Espanha, por exemplo, Lando Norris classificou em terceiro e, na corrida, nem ele e nem Oscar Piastri tiveram ritmo para top-10. Longe disso. Basicamente, o time foi pedra no sapato da 'F1 A' no sábado e, 24 horas depois, estava namorando a 'F1 C'.

Aí também entra um outro ponto importante na conversa: não é, nem de perto, o melhor início de temporada da vida de Norris. E isso aqui é crucial porque o inglês é um pilotaço, carregou esse time nas costas desde a saída de Carlos Sainz e, em 2023, parece tentar sempre tirar mais do que o carro pode oferecer. E aí tem errado bastante, arriscado tudo nas primeiras curvas. Decepcionado, em geral.

Oscar Piastri não começou espetacular, mas está decente (Foto: McLaren)

Do outro lado do box está Piastri, que é novato. E aí acaba toda conversa, o cara chegou agora, não tem como cobrar muita coisa. Aliás, verdade seja dita: Oscar não tem ainda um ritmo de Norris, mas é, de longe, o melhor entre os calouros da F1 2023. Não tem cometido grandes erros, tem feito seu papel de forma decente. Aqui, podemos afirmar que a tendência é, sim, de subida gradual.

“Estamos muito impressionados, Piastri é muito focado e não cometeu nenhum grande erro. Apenas a exploração típica dos limites, ou o travar de uma roda aqui e ali. Ele não esteve em todas essas pistas, então as primeiras indicações são de que temos um futuro campeão mundial em nossas mãos”, se empolgou o sempre superlativo CEO, Zak Brown.

Andrea Stella assumiu a chefia da McLaren em 2023 (Foto: McLaren)

No meio disso tudo está um Andrea Stella que ainda não parece ter se encontrado no papel de chefe. O italiano mesmo admite que ainda precisa entender melhor suas funções, as decisões que toma. As atualizações não foram brilhantes, o time ainda bate um pouco de cabeça. Sente falta de Andreas Seidl, que mudou a filosofia da equipe anos atrás da água para o vinho, sim.

Levemente confortável pela pasmaceira de quem vem atrás na chamada 'F1 C', a McLaren agora precisa dar passos firmes para não viver em uma ilha em 2023. Precisa de mais vindo de Norris, a grande estrela da companhia, mas também de estabilidade e um carro mais firme em todo tipo de pista, em todo tipo de atividade. E a contratação de Rob Marshall pode ajudar a clarear o horizonte por ali. Por enquanto, vai cumprir tabela e ficar em sexto até 2024.

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