Asfalto irregular + sprint: equipes sacrificam downforce nos EUA para driblar punições

Lewis Hamilton e Charles Leclerc foram desclassificados do GP dos Estados Unidos após a prancha do assoalho apresentar medidas fora do padrão da FIA. Equipes como Alfa Romeo e Aston Martin revelaram que tiveram de subir os carros para evitar punições do tipo, culpando o asfalto muito irregular de Austin e a ausência de testes por conta da sprint

A combinação de asfalto muito irregular para os padrões da Fórmula 1 mais o final de semana com a corrida sprint obrigou as equipes a ter de sacrificar a configuração dos carros para evitar punições como a que levou às desclassificações de Lewis Hamilton e Charles Leclerc no GP dos Estados Unidos. Alfa Romeo e Aston Martin foram alguns dos times que culparam as características do Circuito das Américas para o desempenho abaixo do esperado.

Hamilton e Leclerc tiveram os carros reprovados pela inspeção feita pela equipe técnica da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) após a corrida em Austin. Tanto o #44 quanto o #16 apresentaram irregularidades na prancha do assoalho, com um desgaste acentuado que deixou o item fora da medida estabelecida pelo regulamento. Infrações técnicas são punidas com a desclassificação.

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O próprio Toto Wolff, chefe da Mercedes, reconheceu que o time errou no acerto escolhido, principalmente porque não teve tempo para testar simulação de corrida (quando os carros rodam com a quantidade de combustível estimada para o domingo, ou seja, mais pesados) com o assoalho novo, levado para os Estados Unidos.

O assoalho, aliás, passou a ser item fundamental no ganho de performance com o novo regulamento e a volta do efeito-solo, atuando na geração de downforce. Quanto mais próximo o carro for do chão, mais rápido será, e a FIA chegou a revisar as especificações quanto ao desgaste das pranchas no ano passado, já que a tendência é que a peça se deteriore mais com o carro baixo.

Lewis Hamilton perdeu o segundo lugar após ser desclassificado (Foto: AFP)

Para evitar problemas, a Alfa Romeo apostou numa abordagem mais conservadora nos EUA, como explicou Valtteri Bottas. "A irregularidade da pista também influenciou o nosso desempenho, já que tivemos de rodar com o carro um pouco mais alto do que queríamos e, assim, sacrificar o downforce, o que não nos permitiu extrair o máximo das nossas atualizações", destacou o finlandês.

Chefe da Aston Martin, Mike Krack pontuou como apenas um treino livre no final de semana inteiro complicou a situação. "A questão é que você precisa dar voltas com o DRS ativo, inativo, com muito combustível, pouco combustível. Tem de checar, tem de fazer todo esse dever de casa."

"Então, se não tem essas voltas, que escolha faz? Ao mesmo tempo, os pilotos estão reclamando que o asfalto está mais irregular do que nunca. Foi desse jeito que partimos para a classificação, e você tem de fazer uma escolha", salientou.

"Esse é um dos problemas que se enfrenta no fim de semana de sprint. Mesmo com uma sessão [de treinos] completa, precisa fazer a sprint e a corrida, mais duas classificações, então se gasta um milímetro e tem de rodar baixo, é complicado. Todos tentam construir modelos do tipo, mas é sempre um risco para a corrida', concluiu Krack.

Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, com o GP da Cidade do México, no autódromo Hermanos Rodríguez, para a 19ª etapa da temporada 2023.