Ducati na frente e Quartararo como melhor Yamaha: MotoGP chega compacta ao Japão

O primeiro dia de treinos da MotoGP em Motegi não fugiu muito ao roteiro de 2022: a Ducati conseguiu o melhor tempo, com Jack Miller liderando uma dobradinha com Francesco Bagnaia. Como sempre, Fabio Quartararo foi a melhor entre as Yamaha, mas a sexta-feira (23) viu 19 pilotos no mesmo segundo, sinais de vida até Franco Morbidelli e Cal Crutchlow

A MotoGP desembarcou compacta no Japão. Em uma sexta-feira (23) de um único treino livre — consequência de um calendário que colocou os GPs de Aragão e em Motegi em fins de semana seguidos —, os pilotos aproveitaram os 75 minutos de uma sessão estendida para seguir o script quase de sempre em 2022: Ducati protagonista e Fabio Quartararo defendendo a honra da Yamaha.

Desta vez, coube a Jack Miller a missão de liderar a casa de Borgo Panigale. Com 1min44s509 na melhor de 28 voltas, o australiano assegurou o topo da tabela de tempos no circuito que deixou de se chamar oficialmente Twin Ring Motegi — o anel duplo de Motegi — para atender pela alcunha de Mobility Resort Motegi.

Jack Miller foi o mais rápido no primeiro dia em Motegi (Foto: Divulgação/MotoGP)

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“Estou satisfeito com esse primeiro dia em Motegi. Mesmo sem corrermos aqui há três anos, conseguimos se rápidos desde o início”, frisou. “Ter uma sessão mais longa nos permitiu testar algumas coisas com o acerto que normalmente não temos tempo para fazer, e realmente gostei das mudanças que fizemos na moto no fim da sessão”, contou.

“Nossa Desmosedici GP funciona bem aqui e estou curtindo pilotar. A previsão é de chuva para amanhã, mas, normalmente, a aderência nesta pista é boa mesmo com o asfalto molhado, então estou confiante de que posso ir bem em qualquer condição”, completou.

Apenas 0s028 mais lento que o companheiro de equipe, Francesco Bagnaia ficou em segundo lugar.

“Foi bom, estou contente como dia. Começamos muito bem, com alguns problemas, mas logo fizemos um grande trabalho e melhoramos a cada saída”, exaltou Pecco. “Não tivemos tanto tempo para melhorar, fizemos logo o tempo de ataque, e foi bom, mas não como eu gostaria. Normalmente, fazemos um TL1 em que podemos trabalhar. Hoje foi diferente, só tivemos uma sessão e, além disso, faz três anos que a gente não vem para cá. Acho que é por isso que estão todos tão igualados”, observou.

Francesco Bagnaia ainda não sabe quais pneus usar no Japão (Foto: Divulgação/MotoGP)

“Eu mesmo não fiz um bom primeiro setor em toda a sessão, mas o mais importante era acabar o dia entre os dez primeiros, já que a previsão amanhã é de chuva. E foi isso que conseguimos”, comemorou.

Com menos tempo de trabalho, Pecco explicou que tentou dividir com Miller o teste dos pneus para o fim de semana, já que o tempo de pista seca será menor se a previsão de chuva no sábado se confirmar.

“Tentamos fazer um trabalho diferente com os pneus. Tentamos fazer muitas voltas com diferentes compostos, entre Jack Miller e eu, para ter mais claro o pneu da corrida, mas agora ainda é difícil escolher. É um trabalho que temos de analisar essa noite, mas a situação não nos ajuda. Precisamos de mais voltas”, sublinhou. “Estou contente com as sensações e o acerto, mas, no momento, não sei com que pneu posso fazer a corrida”, revelou.

Líder do campeonato, Quartararo fez a melhor de 30 voltas em 1min44s558 e ficou com o terceiro tempo, apenas 0s049 mais lento do que o australiano.

“Foi intenso, mas tudo bem. Nosso ritmo não é ruim, mas a margem que os outros têm em relação a nós é bestial, pois vou ao limite. Fiz o máximo”, disse Quartararo.

Ainda, Quartararo explicou que a enorme abrasão que sofreu no peito no acidente de Aragão condiciona um pouco os movimentos dentro do macacão.

Fabio Quartararo não se vê tão perto dos demais (Foto: Divulgação/MotoGP)

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“Foi um pouco tenso no início, porque ardia, mas logo me adaptei”, contou. “No domingo, com a previsão de sol, precisamos analisar que pneus usar, mas estou pronto”, garantiu.

Apesar de ter fechado o dia a só 0s049 de Miller, Quartararo considera que a vantagem das Ducati é maior em Motegi.

“Estou perto das Ducati, mas eles cometeram erros. Me vi bem, mas esperava isso. Com só uma sessão e sabendo que ia chover, tinha de fazer desta forma, forçando ao máximo”, considerou.

Depois do tombo de Aragão, o campeonato ficou muito mais disputado, com 17 pontos separando os três primeiros na classificação. E Fabio sabe que tem uma desvantagem técnica importante.

“Estamos em uma clara desvantagem em nível técnico em relação às Ducati. Ganhar este título é o maior desafio da minha vida”, comentou. “Essa desvantagem me inquieta, mas também me motiva”, completou.

Diferente do que tem acontecido ao longo do ano, Fabio não foi a única Yamaha a passar a maior parte da sessão entre os ponteiros. É fato que ele foi o único a fechar o treino no top-10, mas tanto Franco Morbidelli quanto Cal Crutchlow apareceram mais fortes ao longo da atividade.

Morbidelli fechou o dia em 16º, com 1min45s065, 0s556 atrás de Miller, enquanto Cal foi o 17º, só 0s122 atrás do ítalo-brasileiro. Darryn Binder não apareceu na ponta, mas surge na sequência, em 18º, diante de Marco Bezzecchi.

“Estou bem satisfeito com a velocidade que tive hoje, mas não com o meu resultado final”, ponderou Morbidelli. “Infelizmente, no meu segundo tempo de ataque, peguei duas bandeiras amarelas, então pude fazer sequer uma volta rápida. Me vi em16º quando senti que poderia ter ficado muito mais para a frente”, comentou.

“De qualquer forma, o ritmo pareceu bem decente durante os treinos e eu me senti muito bem. Sabia que esta pista, com esse layout, encaixava um pouco mais com o meu estilo mais recente”, indicou. “Também demos um passo à frente com a moto e isso me permitiu dar outro passo. Isso é realmente bom e interessante de sentir. O programa correu de forma suave e bem até o segundo ataque à tabela”, acrescentou.

Aleix Espargaró saiu satisfeito do primeiro dia em Motegi (Foto: Aprilia)

Terceiro colocado na classificação do Mundial, Aleix Espargaró começou a sessão mais discreto, mas avançou e fechou a sexta-feira em quarto, só 0s068 atrás de Miller.

“Estou feliz por voltar a correr nesta pista, em um país que eu absolutamente amo. A atmosfera é fantástica e devo dizer que a sessão também correu bem”, disse Aleix. “Tivemos um pouco de dificuldade no início, pois os únicos pontos de referência que tínhamos era do acerto de 2019, quando eu pilotava uma RS-GP extremamente diferente, mas todos na equipe fizeram um ótimo trabalho e rapidamente fomos na direção que precisávamos”, seguiu.

“Também dei sorte com o último tempo de ataque, pois só uma das minhas três tentativas foi cancelada pelas bandeiras amarelas, mas foi o suficiente para me render a quarta colocação”, falou. “Tem alguns lugares nesta pista onde perco um pouco e sou muito rápido em outros, mas a moto está funcionando muito bem e isso nos deixa otimistas”, finalizou.

Correndo na casa da Honda e com um capacete em tributo à cultura local, Marc Márquez fez a melhor de 26 voltas em 1min44s656 e ficou na sexta colocação, como a melhor RC213V.

“Desde a primeira saída, estava me sentindo muito bem”, contou Marc. “Parece que as áreas onde normalmente sofremos um pouco, [impactam] menos aqui e podemos controlar tudo”, indicou.

Com previsão de chuva para sábado, Marc explicou que procurou atacar já nesta sexta para garantir vaga no top-10 e agora torce pela chuva para manter a posição.

“Hoje eu fui no ataque total, pois só tinha uma sessão e sei que pode chover amanhã, então entrar no top-10 era importante”, comentou. “Vamos ver o que acontece amanhã, mas, sinceramente, estou torcendo pela chuva, pois aí já estamos no top-10”, assumiu.

Marc Márquez garantiu lugar no top-10 no Japão (Foto: Divulgação/MotoGP)

“Me sinto muito bem com um pneu novo, mas meu feeling com pneu usado também é muito bom”, concluiu.

Vivo na briga pelo título, Enea Bastianini sofreu uma queda na curva 5 nos minutos finais do treino e acabou em 14º, 0s469 mais lento que o ponteiro.

“Tivemos um bom treino hoje. Comecei com a ideia de entender a pista com a moto da MotoGP e imediatamente fomos bem com pneus novos”, avaliou Enea. “Aí travei a dianteira na curva 5 no meu segundo tempo de ataque e meio que acabei jogando a sessão fora”, lamentou.

“Está claro que, com uma sessão, as coisas são mais complicadas e tínhamos de ter feito o máximo dela levando em conta que esperamos chuva para amanhã”, assumiu. “Esperamos que a classificação seja no seco, pois somos competitivos”, opinou.

Enea Bastianini caiu e não conseguiu ficar entre os dez melhores (Foto: Divulgação/MotoGP)

Álex Rins também se mostrou competitivo, mas, prejudicado por bandeiras amarelas, ficou fora do top-10. A decepção do pai do pequeno Lucas é potencializada pela precisão de chuva para sábado.

“Estou muito decepcionado”, resumiu Rins. “Fomos fortes durante todo o TL1. Trabalhamos pensando na corrida, porque amanhã, certamente, vai chover e nós queríamos adiantar o trabalho. No fim, quando colocamos o último pneu macio, não pude melhorar o tempo, porque nas duas ou três voltas que fiz, tinham bandeiras amarelas”, relatou.

“Temos de tentar amanhã, mas será difícil, porque, com chuva, tudo muda. Mas vamos tentar”, garantiu.

Rins, aliás, estreou uma novidade aerodinâmica na GSX-RR, as asas traseiras de orelhas de coelhinho.

“Honestamente, sinto mais estabilidade nas freadas. Posso frear um pouco mais forte e entro melhor nas curvas”, indicou. “Pelo menos, [a moto] não se move tanto. Estou impressionado, pois a Suzuki não é o tipo de marca que faz esse tipo de coisa tão rápido”, comentou.

“Foi engraçado, pois soube ontem no fim do dia que eles queria quem [Takuya] Tsuda testasse. Fui falar com eles para que me deixassem testar, mas eles não queriam. Fizemos um acordo para que me deixassem testar se eu fosse competitivo nos primeiros minutos do TL1”, revelou. “Precisamos nos sair bem nessas corridas consecutivas que temos. Aqui não podemos continuar usando, porque vai chover, mas se os comentários dos engenheiros forem bons, vamos usar [na Tailândia]”, concluiu.

O segundo treino livre para o GP do Japão de MotoGP, em Motegi, está marcado para esta sexta-feira, as 22h50 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.

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