Envision consagra remontada com título mundial e atinge patamar inédito na Fórmula E

Coadjuvante no início da temporada, Envision surfou no sucesso de sua fornecedora, a Jaguar, e logo dobrou a meta: deixou os ingleses para trás, conquistou o Mundial de Construtores da Fórmula E e alcançou um protagonismo inédito em sua história

A temporada 2022/23 da Fórmula E foi devidamente encerrada neste domingo (30), com a segunda perna da rodada dupla do eP de Londres, vencida por Mitch Evans na corrida 1 e Nick Cassidy na prova derradeira. O triunfo do carro #37, inclusive, garantiu um feito inédito: a Envision é campeã do Mundial de Construtores da categoria, o que consagra uma virada incrível do melhor jeito possível — com título.

O início do campeonato trouxe a ideia de que a Porsche passearia na Era Gen3. Com um conjunto muito mais eficiente do que os demais, a equipe alemã demoliu as primeiras rodadas da temporada com três vitórias — uma de Jake Dennis, da cliente Andretti, e duas de Pascal Wehrlein, da fornecedora —, além de três segundos lugares, conquistados pelos mesmos pilotos.

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A questão, porém, é que sempre houve um problema com o conjunto alemão: as classificações. Sempre foi muito claro que a Porsche recuperava uma grande quantidade de posições ao longo das corridas devido a uma eficiência maior na regeneração de energia, mas não conseguia render em volta única e, invariavelmente, largava do fundo do pelotão.

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Nick Cassidy fechou a temporada com vitória em Londres (Foto: Fórmula E)

Em um momento no qual a competitividade preocupava bastante, surgiu, então, a Jaguar. Fornecedora da Envision, a equipe britânica imediatamente colocou seu trem de força como o mais eficiente da Fórmula E nas classificações e começou a diminuir a distância para a Porsche nas corridas — até ultrapassá-la.

Hoje, ao fim da temporada, a Porsche segue com os mesmos problemas de classificação do início, mas com uma grave questão a mais: todos os outros times evoluíram em ritmo de corrida. Assim, Wehrlein e António Félix da Costa não conseguiram mais obter o número absurdo de posições que conquistavam no início do ano e sofreram para sequer brigar pelo pódio.

Ainda que Dennis tenha sido uma espécie de 'lobo solitário' entre os pilotos com powertrain Porsche ao longo do ano, já que conseguiu ignorar os problemas de classificação e tornou sua presença em finais comum, o fato é que Wehrlein perdeu fôlego na briga muito cedo. Desde a metade da temporada, já era possível prever que o alemão ficaria de fora da disputa.

Aí, entra a Envision. Com um conjunto melhor do que no início do ano, possibilitado pelo crescimento de sua fabricante, a Jaguar, o time verde passou a extrair resultados de forma absolutamente regular. Para se ter uma ideia, Cassidy abandonou exatamente uma corrida no ano inteiro: o eP de Roma 2, quando foi abalroado pelo próprio Evans. De resto, o neozelandês sempre esteve na pista — e pontuou em 12 de 16 corridas, com 8 pódios pelo caminho. Números incontestáveis.

Envision aproveitou ao máximo o rendimento proporcionado pela fornecedora Jaguar e selou o título (Foto: Fórmula E)

Terceira colocada da Fórmula E em três anos diferentes, a Envision — que foi atraída pela filosofia de sustentabilidade da categoria — se coloca em um novo patamar daqui em diante. Manipulou o motor de sua fornecedora melhor do que a própria equipe de fábrica e levou seu principal piloto até a última etapa com chances de título. Uma temporada que vai ficar marcada na história do time inglês.

Como nota negativa, apenas a situação entre Sébastien Buemi e Cassidy na corrida 1 do eP de Londres. É inaceitável que a equipe tenha deixado uma batalha tão próxima se estender por cerca de quatro curvas, quando poderia ter entrado pelo rádio e ordenado ao suíço que cedesse a posição — o que Buemi confirmou que estava disposto a fazer.

A verdade é que ainda falta experiência em alguns aspectos, e estar na batalha do título pela primeira vez na história também cobrou seu preço. O Mundial de Pilotos escapou, mas a Envision constrói um caminho seguro e de claro crescimento na Era Gen3.

Em patamar inédito, a escuderia inicia uma nova caminhada a partir daqui — agora, como protagonista definitiva deste grid. Para 2024, a Envision aguarda o retorno de Robin Frijns, expoente da equipe entre 2018 e 2022, para formar uma nova dupla com Buemi. Certamente, a busca será incessante pelo título de Pilotos que escapou esse ano. Depois de tantas reviravoltas e uma remontada incrível, alguém realmente ainda duvida dos verdinhos?