Aposentadoria de Vettel cria caos no mercado e expõe falha na renovação do grid da F1

A aposentadoria de Sebastian Vettel gerou um efeito dominó no mercado de pilotos da Fórmula 1, que mostrou o despreparo de equipes e a falta de renovação nos nomes do grid

O 28 de julho de 2022 pegou o mundo da Fórmula 1 de surpresa. Naquela dia, Sebastian Vettel criou uma conta no Instagram, apenas para revelar sua aposentadoria ao final da temporada de 2022. O ano se transformou em uma grande despedida ao tetracampeão, mas Vettel acabou causando um efeito inesperado no mercado de pilotos.

A Aston Martin contava com o retorno do alemão para o próximo ano. Sem Sebastian, foi buscar um outro grande vencedor da categoria, o bicampeão Fernando Alonso, que tinha conversas bem avançadas para renovar seu contrato com a Alpine, mas preferiu um vínculo mais duradouro com a equipe britânica.

A situação da Alpine ficou ainda mais complicada quando Oscar Piastri, talento australiano que vinha sendo lapidado para o futuro, desmentiu que correria pela equipe em 2023 na vaga do Príncipe das Astúrias. Piastri estava sendo encaminhado para a Williams e tinha acabado de assinar um vínculo com a McLaren, que buscava se livrar de Daniel Ricciardo.

Oscar Piastri está liberado para correr pela McLaren em 2023 (Foto: Alpine)

De repente, a Alpine se viu sem suas duas principais opções para a vaga ao lado de Esteban Ocon em 2023. O time de Enstone conduz agora um verdadeiro vestibular para decidir quem será o companheiro do francês. O desejo era ter Pierre Gasly, mas a AlphaTauri só liberaria o piloto caso tivesse a possibilidade de trazer Colton Herta, que muito provavelmente não conseguirá a superlicença necessária para tal.

Surgiu-se assim uma vaga em uma das quatro melhores equipes do grid, mas a situação da Alpine trouxe uma grande lição para os times da Fórmula 1: sempre tenha cartas na manga e tente definir o mais rápido possível sua dupla de pilotos. Afinal, contratos são assinados e rasgados com tranquilidade no automobilismo.

Ao mesmo tempo, a Williams, que sonhava com uma dupla Alexander Albon e Oscar Piastri, também ficou com um assento disponível. AlphaTauri, Alfa Romeo e Haas são outras que precisam tomar decisões para 2023. Nomes que já pareciam descartados e superados do grid voltaram a aparecer, como Antonio Giovinazzi e Nico Hülkenberg. Nyck De Vries se tornou um piloto extremamente cobiçado após uma boa estreia com a Williams em Monza, três anos depois de conquistar a Fórmula 2.

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De Vries estreou com um nono lugar na Itália (Foto: Williams)

Por outro lado, os jovens talentos da categoria foram sendo deixados de lado. Felipe Drugovich, campeão da Fórmula 2, teve de se contentar com um papel de reserva na Aston Martin. Théo Pourchaire, o vice-campeão e joia da academia da Sauber, parece estar atrás de Giovinazzi e do chinês Guanyu Zhou, que faz uma temporada de estreia bem discreta.

Jack Doohan é cogitado na Alpine, mas o time francês já afirmou que quer alguém com experiência para trazer pontos logo de cara, o que não se encaixa com o perfil de um jovem de 19 anos. O americano Logan Sargeant parece ser o que tem mais chances de subir para a Fórmula 1 com a Williams, a não ser que seja preterido por De Vries.

O caótico resultado da aposentadoria de Vettel mostrou um mercado da Fórmula 1 com dificuldade em trazer novos nomes. Mais do que isso, apresentou um fracasso da escada até a principal categoria do automobilismo mundial, já que o campeão da Fórmula 2 e o provável vice dificilmente estarão no grid no ano que vem.

Felipe Drugovich é o grande campeão da F2 2022 (Foto: F2)

Caso isso seja confirmado, será a segunda temporada consecutiva em que campeão e vice da F2 não conseguem uma vaga na Fórmula 1, algo que jamais havia ocorrido desde que houve a mudança de nome da GP2 em 2016. É preciso olhar com mais cuidado para os talentos que estão sendo desenvolvidos e garantir que aqueles que obtêm sucesso nas categorias de base recebam as oportunidades devidas.

A Indy, por exemplo, garante que o campeão da Indy Lights, categoria de acesso, participe de ao menos três corridas, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis. Além disso, também dá uma bolsa, um auxílio financeiro para garantir que a escada de fato funcione.

Isso também é um trabalho que tem de ser melhor desenvolvido pelas equipes. Ao invés de apostar no desenvolvimento de jovens, os times parecem mais inclinados a ir atrás de veteranos como Hülkenberg e Giovinazzi, que têm experiência, mas um teto de talento questionável. Sabemos o que estes nomes vão e não vão entregar, então por que o conservadorismo em desenvolver talento?

Esteban Ocon ainda não sabe quem será seu companheiro em 2023 (Foto: AFP)

A Williams se beneficiou de ter George Russell por três anos. Voltou a pontuar e chegou a conquistar um pódio na Bélgica. As equipes do meio do grid para baixo deviam olhar com mais atenção para esse modelo, afinal de contas, lapidar uma futura estrela do esporte pode ajudar a impulsionar todo o time.

Mais do que isso, a falta de reciclagem de pilotos prejudica a própria Fórmula 1 como um todo. Novos nomes geram empolgação, criam expectativas e ajudam a trazer também novos fãs. É preciso achar uma forma de fazer a escada até a principal categoria do automobilismo funcionar novamente.

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