Mercedes vê certo avanço, mas admite que novo sidepod "não trouxe desempenho extra"

Mike Elliott, executivo-técnico da Mercedes, reconheceu que a mudança para o sidepod mais convencional não trouxe nenhum ganho significativo de performance, porém acredita que o progresso das rivais mostra que há ainda espaço para evoluir na temporada 2023 da Fórmula 1

Ainda tentando se encontrar na linha de desenvolvimento do W14, a Mercedes explicou por que decidiu manter o conceito 'zeropod' — a lateral do carro mais estreia, com as entradas de ar verticais — também no início da temporada 2023 da Fórmula 1. O executivo-técnico, Mike Elliott, contou que vários conceitos foram analisados e nenhuma solução mostrou ser melhor que atual.

É por isso, aliás, que a equipe também não demonstrou um grande salto de performance desde que trouxe uma carroceria mais convencional para os carros de Lewis Hamilton e George Russell. A principal mudança no carro foi introduzida em Mônaco, e embora o heptacampeão tenha conquistado três pódios nas sete corridas realizadas com o novo sidepod, a distância para a Red Bull parece cada vez mais inalcançável este ano.

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Lewis Hamilton ficou com a quarta colocação no GP da Belgica (Foto: AFP)

Elliott explicou, no entanto, que a expectativa é continuar evoluindo o conceito. "Acho que quando trouxemos a primeira versão, foi muito mais uma mudança de nível", começou o diretor-técnico. "Não foi uma coisa que trouxe tanto desempenho extra, mas houve a chance de olhar para algo diferente. Nós meio que avançamos", avaliou.

"Estamos sempre evoluindo, buscando constantemente trazer mais performance. Então, isso é um pouco mais. A próxima versão nos trará ainda mais e esperamos continuar o desenvolvimento durante o inverno", completou Elliott, que assumiu a decisão de manter o antigo 'zeropod' para o começo do Mundial quando ainda exercia a função de diretor-técnico na base em Brackley — cargo hoje ocupado por James Allison.

Mike relatou que "durante o inverno, analisamos vários conceitos diferentes de carroceria e não encontramos uma solução melhor do que a que tínhamos". Com o novo, porém, ele admitiu que o time "claramente não avançou por completo para onde qualquer outro está".

"O que tentamos foi pegar o que tínhamos e adaptar. Portanto, você não leva o mesmo golpe. Espero que evolua com o tempo para acabarmos em um lugar melhor", salientou.

Além da atualização não ter encurtado a distância para a arquirrival taurina, o time alemão ainda precisa lidar com o avanço das hoje adversárias diretas Aston Martin, Ferrari e McLaren, sendo que esta última deu um salto significativo de Silverstone em diante, colocando-se como segunda força em algumas etapas.

Elliott explicou que o processo de desenvolvimento fez a Mercedes questionar "tudo". "Questiona se possui as filosofias fundamentais corretas, questiona se possui os processos corretos na forma como está analisando os dados. Gostaríamos de imaginar que há uma solução imediata para se encontrar ou algo errado para ser solucionado. Mas acho que, no geral, é tudo uma questão de muito trabalho."

"Se olharmos para onde estávamos no ano passado, com um carro e os problemas que enfrentamos, retrocedemos bastante para sair de algumas posições em que estávamos. Acho que se olharmos para onde estamos em termos de desempenho, a Aston deu um bom passo durante o inverno, mas nos colocamos em uma posição decente. Infelizmente, vimos a McLaren também dar um grande passo", seguiu.

"Acho que temos de olhar para isso e dizer que, por um lado, é decepcionante, mas, por outro, mostra que há oportunidades para avanços", concluiu Elliott.