FIA queima largada com calendário de 2023 e reforça momento de choque com Fórmula 1

O momento não é bom para as relações entre a FIA e a Fórmula 1. O lançamento oficial do calendário do ano que vem foi novo capítulo do desagravo

A relação entre Fórmula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo, a FIA, vive um momento bastante tenso. Após anos em que as partes se entenderam bem, apesar de certos desencontros esporádicos, as coisas ganharam novo direcionamento desde o começo de 2022. O último capítulo veio nesta semana, quando a FIA se adiantou à F1 e, sem aviso prévio, divulgou o calendário da temporada 2023 de maneira unilateral.

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Na última terça-feira, 20 de setembro, a FIA aproveitou as primeiras horas da manhã para divulgar o novo calendário. Mais que apenas um conjunto de datas, mostrava a expectativa do campeonato mais longo da história e com novidades como o retorno do GP da China, as rodadas triplas e o GP de Las Vegas num sábado. Nos últimos anos, FIA e Liberty Media preparavam um comunicado de imprensa conjunto para apresentar formalmente o calendário no ano seguinte.

De acordo com a versão italiana do site Motorsport, a oficialização da FIA bateu como surpresa nos escritórios da Fórmula 1 em Londres. A equipe de Stefano Domenicali, diretor-executivo da F1, soube das intenções da entidade adiantar a divulgação apenas quando o comunicado foi disparado.

A oficialização conjunta é parte de um acordo dos dois lados uma vez que a aprovação das datas precisa da aprovação e consolidação da FIA, mas todo o trabalho de formatação, escolhas das sedes, negociações com promotores e ajustes gerais é feito pelo Liberty Media, dono da F1. Portanto, há um esforço conjunto. A situação criou mais uma dor de cabeça institucional, porque a F1 teve de se manifestar horas mais tarde.

Stefano Domenicali e aF1 não se entendem com a FIA (Foto: Kenzo Tribouillard/AFP)
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Por mais que a FIA nem sempre tenha concordado em tudo com a F1 nos anos em que Jean Todt esteve na presidência, a relação sempre esteve sob controle tanto com o Liberty quanto quando Bernie Ecclestone ainda comandava a categoria. Mas o último mandado de Todt chegou ao fim em dezembro de 2021 e, como já estava na presidência da FIA há 12 anos, não pôde se reeleger. O novo presidente, Mohammed Ben Sulayem, tem outro tipo de trato com a categoria.

Ainda no começo do ano, o primeiro desagravo público entre as duas partes veio no que dizia respeito às corridas sprint. Depois de muito garimpar no ano passado, o Liberty Media acreditava ter a maioria nas votações para aprovar o aumento de três para seis corridas sprint em 2022, mas a FIA mudou de opinião e tirou o corpo fora do acordo em cima da hora. Publicamente, citou desafios logísticos para o aumento, mas o que se sabe é que a FIA gostaria de receber parte maior das receitas que as corridas extras trariam.

De lá para cá, outras coisas aconteceram e reforçam que, no episódio do calendário, a intenção da FIA é bater o pé e mostrar que manda mais e não será refém de quem quer que seja detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1. A FIA quer, em negociações futuras, receber maior parte da receita gerada pela venda dos direitos da F1. No último balanço oficial divulgado, em 2020, a FIA teve lucro de apenas € 2,1 milhões — algo que mostra que gastos e receitas são praticamente iguais atualmente. A Federação não está nadando em dinheiro.

Além das questões de corrida sprint e calendário, a FIA instituiu um novo formato de direção de prova para 2022 após todo o desgaste com os erros da equipe liderada por Michael Masi no ano passado, algo que a Federação crê que tenha passado do tempo e arranhado a imagem da organização. Mas o novo sistema também não tem feito sucesso. Casos como a exigência de que os pilotos retirem joias e a ignorada que a direção de prova deu nos pilotos em Miami para a proteção numa parte perigosa da pista e onde, mais tarde, Carlos Sainz e Esteban Ocon acabaram se acidentando, de fato, pioraram tudo.

A FIA não gostou dos danos à imagem causados sobretudo pelo campeonato passado e começou a tentar mostrar que manda mais. É verdade, porém, que a Federação ficaria em situação financeira dramática não fosse o valor que recebe anualmente da F1 segundo o acordo do Pacto da Concórdia atual. E as reclamações da F1 também persistem: seja pelos arroubos de chefona, pelos equívocos na direção de prova ou com relação ao teto orçamentário, uma das vitórias mais marcantes da Era Todt. Resta saber até onde chega a Guerra Fria entre FIA e F1.

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